Fauna de Portugal – o Camaleão.

Posted in: Sem categoria- Dez 05, 2011 1 Comment

Portugal ainda conserva muito da sua vida selvagem. Para melhor conhecermos a enorme variedade de espécies animais do nosso país a aidnature.org procura a colaboração de vários especialistas. Este artigo conta com a colaboração do Dr. Octávio Paulo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e da Patrícia Brás, estudante de mestrado a fazer investigação acerca do Camaleão no Algarve.

De corpo comprimido lateralmente e com olhos que se podem mover de forma independente, o camaleão-comum (Chamaeleo chamaeleon) é um dos répteis ibéricos mais surpreendentes e apelativos. Sendo uma espécie arborícola é curiosa a etimologia do nome camaleão, o qual deriva das palavras gregas chamai (na terra, no chão) e leon (leão), significando “leão da terra”. Apresenta um conjunto de adaptações morfológicas que lhe permite encontrar-se perfeitamente adaptado à sua condição arborícola. Entre elas destacam-se o já referido corpo comprimido lateralmente, a cauda preênsil (a qual funciona como um órgão de apoio) e a disposição dos dedos em forma de pinça, características que lhe proporciona um bom equilíbrio, mesmo nos ramos mais finos.

A capacidade de mudar de cor e o seu modo de alimentação são duas características que também contribuem para o interesse que esta espécie motiva. A sua cor pode mudar em função da idade, do sexo, da época do ano, do meio envolvente e do seu estado emocional. As presas do camaleão-comum são capturadas através da projecção da sua língua, a qual exerce uma força de sucção, ajudando à aderência da presa.

Fotografia: João T. Vasconcelos

O camaleão-comum pertence à família Chamaeleonidae, a qual apresenta uma maior diversidade de espécies na zona oriental de África e em Madagáscar. O género Chamaeleo tem a maior distribuição da família, contendo as únicas quatro espécies que se encontram fora de África. O camaleão-comum apresenta uma distribuição circum- mediterrânea distribuindo-se pelo Norte de África (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egipto), Sul da Europa (Portugal, Espanha e Grécia), algumas ilhas mediterrânicas (Chipre, Malta e Creta) e Médio Oriente (Israel, Líbano, Síria e Turquia).

Em Portugal, a sua distribuição limita-se ao litoral algarvio, ocupando preferencialmente dunas litorais com vegetação, algumas formações florestais, como folhosas diversas e pinhais (tendo uma aparente preferência por um coberto florestal elevado) e também pomares agrícolas. A sua área de distribuição apresenta-se extremamente fragmentada, o que sugere uma expansão não natural e um grande impacto provocado pela destruição do habitat mais favorável à ocorrência da espécie. De facto, investigações recentes apontam para uma diminuição acentuada da área ocupada por estes habitats. A destruição e fragmentação do habitat constituem dois dos principais factores de ameaça à espécie, factores que se tornam mais relevantes devido ao facto do camaleão-comum apresentar uma reduzida capacidade de dispersão. Como consequência, núcleos populacionais têm ficado isolados, o que os torna mais vulneráveis a fenómenos de estocasticidade ambiental e demográfica, a catástrofes naturais e a perda de variabilidade genética.

O facto do camaleão-comum ser umaespécie bastante atractiva e de fácil captura contribui também para o seu padrão de distribuição extremamente fragmentado. Com muita frequência, ouvem-se relatos de veraneantes que durante os dias de férias “adoptam” estes animais e depois os libertam em algum local diferente daquele onde os capturaram. Esta situação leva a duas consequências distintas. Muitos destes animais não sobrevivem nos locais onde foram libertados, enquanto outros conseguem sobreviver, mas em núcleos populacionais de dimensões muito reduzidas, pelo que a probabilidade de subsistência a longo prazo destas populações é muito reduzida.

Fotografia: João T. Vasconcelos

Assim, possíveis acções de conservação para o camaleão-comum devem incluir medidas de protecção dos habitats mais favoráveis à sua ocorrência. O incentivo à agricultura tradicional com controlo biológico das pestes será também benéfico, uma vez que o aumento na utilização de produtos agroquímicos está também a contribuir para a degradação do seu habitat. A realização de campanhas de sensibilização da população será também importante, de modo a evitar a captura e deslocação destes animais.

Patrícia Brás & Octávio S. Paulo

 

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Projecto Conservar Portugal – Grupo Lobo.

Posted in: Sem categoria- Jul 25, 2011 No Comments

A equipa da aidnature.org andou esta semana a filmar o trabalho do Grupo Lobo para a conservação do Lobo Ibérico (Canis lupus signatus). O trabalho do Grupo Lobo desenvolve-se há 25 anos em Portugal, e é neste momento completamente imprescindível para a conservação de um dos últimos grandes carnívoros terrestres da nossa fauna.

Desde o trabalho de conservação e monitorização no campo, até às actividades no Centro de Recuperação do Lobo Ibérico em Mafra, esta ONG Ambiental luta para manter viva esta espécie, cuja perda seria devastadora para o nosso património de Biodiversidade e para os ecossistemas naturais em que o Lobo desempenha um papel absolutamente crucial como predador de topo.

” O maior problema são as populações a sul do Douro, mais reduzidas em número, e que não comunicam com as populações a Norte do rio” – diz Sílvia Ribeiro, membro do grupo há 15 anos – ” um dos objectivos do grupo lobo é tentar fazer a ligação com a população espanhola a sul do Douro que se está a expandir de modo a garantir a sobrevivência destas populações”.

As populações  humanas rurais são a grande ameaça para a preservação do Lobo em Portugal. Desde a caça furtiva ao envenenamento, passando pela destruição do habitat, são muitas as causas de morte dos animais. Contudo, há boas razões para acreditar que as populações mais a norte estão a aumentar.

A noção popular de que o Grupo Lobo ou o Instituto para a Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) fazem libertações de lobos é um mito enraizado não só em Portugal como também em Espanha, seria até interessante fazer-se um estudo sociológico para compreender a origem desta crença. A verdade é que estes animais se reproduzem em ambientes selvagens, e assim as populações podem aumentar e migrar esporadicamente.”

“Um cenário ideal para a espécie daqui a vinte ou vinte e cinco anos seria as populações do sul do Douro estarem a prosperar, sobretudo devido à existência significativa de presas silvestres, o que diminuiria o conflito da espécie com a populações humanas.”

Resta agora saber se queremos ou não manter esta espécie viva em Portugal. O lobo só terá hipóteses se as populações estiverem alertadas para os problemas relacionados com a sua conservação e tiverem uma consciência adequada da importância do lobo para a preservação da nossa fauna, e também da nossa identidade.

O Projecto Conservar Portugal é um projecto de divulgação que a aidnature.org está a desenvolver em Portugal, e que conta integralmente com a disponibilidade de Organizações como o Grupo Lobo para a sua realização.

Para mais informações consultar:

http://lobo.fc.ul.pt/